
A Fé
“Sabe o que o povo da terra fazia com a palavra fé? Vendia fiado.”
“Segura firme a tua ponta. Que a outra, eu seguro.”
Pra quem segura a ponta sozinho. No livro, ela conta o valor dessa força.
Lançamento · Memórias de Nanã · Volume 1
E hoje ela escolheu te contar. A fé que vem antes da vela, o joelho que se dobra, a fumaça que leva o peso embora, o atabaque chamando a mata. Senta pertinho, meu fio.
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Prólogo · O Alguidar
“Alguidar serve pelo propósito. Serve pela virtude. E a virtude dele é acolher. É o oco dele que recebe. É o espaço vazio que guarda e deixa a oferenda caber.”
“Esse livro é isso, meu fio. Recebe ele como um alguidar que eu moldei pra ti. Pra amparar teus anseios e fazer caber a festa da vida inteira.”
o fio da lembrança
Conforme ela vai lembrando, Nanã puxa na memória como senhora que ama uma prosa: cada movimento abre com uma pergunta e fecha com um ensinamento.

“Sabe o que o povo da terra fazia com a palavra fé? Vendia fiado.”
“Segura firme a tua ponta. Que a outra, eu seguro.”
Pra quem segura a ponta sozinho. No livro, ela conta o valor dessa força.

“Dobravam o joelho. Ficavam pequenininhos... E sabe que era aí que eles ficavam grandes?”
“Respeito e carinho, andando de mão dada, viu? Os dois juntos... aí sim, a porta abre.”
Pra quem acha que abaixar a cabeça é perder. No livro, ela mostra quem passou.

“Os antigos chamavam isso de perfume. Sabia? Perfume quer dizer ‘através da fumaça’.”
“E quem passa pela fumaça também muda. Entra pesado, sai mais leve.”
Pra quem chega em casa carregando o dia. No livro, ela diz o que sobra no fim.

“Teve um moço, eu lembro bem. Ficou quase um ano sumido... A mãe da casa só abriu os braços.”
“Que bom que tu veio. Que bom que tu veio.”
Pra quem acha que sumiu tempo demais. No livro, o moço volta.
Dentro do livro
“Cada ritual descrito neste livro existe porque alguém, em algum momento, já sentiu na pele essa dor e arriscou tudo pela esperança de uma vida melhor.”
Samuel José Dequech, na nota do autor
Antes de levar pra casa
Não. Nanã conta tudo com a paciência de avó. Quem nunca pisou num terreiro entende cada gesto, e quem é da casa se reconhece em cada página.
Não. É uma memória contada. Os rituais aparecem do jeito que Nanã viu e guardou, com respeito. Ele não substitui a orientação da sua casa e dos seus mais velhos.
Nanã Buruquê é a mais velha das Orixás, senhora do barro, da água e da memória. No livro, ela se mostra como uma anciã de mãos no barro, numa casa onde cada objeto guarda uma memória. Essa figura é o olhar do autor sobre ela; a fé e os rituais que ela conta existem nos terreiros.
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Tem. Quatro momentos do livro viraram as quatro faixas do EP É Festa de Caboclo!. Você encontra os clipes no YouTube.
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“Barro que passou pelo fogo não esquece.”
Memórias de Nanã: É festa de Caboclo! · Samuel José Dequech