da casa para o ateliê
Deixa o sapato na porta, meu fio. Sente o chão com os pés.
No meu ateliê
Aqui é onde o barro ganha vida.
Eu passo o dia inteiro aqui, meu fio. Na cadeira de balanço, com um pouco de argila entre os dedos, a vela acesa e o caderninho no colo.
Moldo, anoto, lembro. Tem pote nessa prateleira que eu moldei antes do tempo existir, e tem estatueta que ainda tá secando. Cada coisa aqui dentro guarda uma memória, e nenhuma se perde.
Quem é Nanã
Todo mundo sabe que ela nunca esquece.
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I
Nanã lembra
O povo esquece pra poder recomeçar. É na memória dela que tudo fica guardado, anotado no caderninho, palavra por palavra.
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II
Nanã vê
Da janela redonda, fora do tempo, ela vê as voltas dos homens. E viu cada gira, cada festa, cada dor que virou força.
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III
Nanã conhece
Quando pisou na terra , sentiu a dor de quem sofreu, memória transformada em sabedoria.
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IV
Nanã abriga
Acolhe porque conhece. Saluba quer dizer “a gente se abriga em Nanã”.
A prateleira
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Volume 1 · disponível pré-venda!
É festa de Caboclo!
“Esse livro é memória, meu fio. Recebe ele como um alguidar que eu moldei pra ti. Pra amparar teus anseios e fazer caber a festa da vida inteira.”
Nanã senta na cadeira de balanço e conta uma festa de Caboclo inteira, na voz de quem viu tudo e guardou. Um prólogo, capítulos cinematográficos e um convite pra voltar sempre que precisar.
Coletânia no formato · 14,8 × 21 cm · 50 páginas
A coleção Memórias de Nanã

Volume 1 · disponível pré-venda!
Festa de Caboclo
Levar pra casa
Volume 2 · moldando
Maria Padilha

Volume 3 · moldando
Maria Mulambo
Volume 4 · ainda é barro
Exu
Volume 5 · ainda é barro
Preto Velho
Como essas memórias nasceram
Esse tanto aqui nasceu de um jeito diferente.
Foi preciso decantar muito, até ver o que precisava assentar no fundo. Só então ficou claro... e cada memória virou um capítulo.
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Prólogo · O alguidar
Moldá, moldá...
No livro ela conta que o alguidar serve pelo propósito. E a virtude dele é acolher: é o oco dele que recebe.
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Capítulo 1 · Festa de Caboclo
Meadá, meadá...
A festa de Caboclo começa no preparo e termina em reencontro: a saudade vira celebração e o espírito se eleva. Nanã guardou tudo na memória e conta no livro.
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Capítulo 2 · Fé DE OXALÁ
Fé é o fio de confiança que liga a gente ao invisível, e que dá coragem para viver o visível.
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Capítulo 3 · A REVERÊNCIA
Enlaçá, enlaçá...
Nanã diz que, quando a testa toca o chão em reverência, é no colo dela que a cabeça pousa.
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Capítulo 4 · A DEFUMAÇÃO
Tecendá, tecendá...
Fumaça é um fio leve tecido pelo fogo. Quem passa por ela entra pesado e sai mais leve.
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Capítulo 5 · Caboclo Pena Branca
Trançá, trançá...
Um espírito, uma pena. Um nome dentro do nome. E no fim, o caderninho: tudo que eu te contei, eu senti primeiro.
Essas memórias também viraram música.
Veja no YouTube ↗A bancada
Essas aqui eu ainda tô moldando...
Quando eu termino de dar forma, o barro ganha vida e a palavra ganha sentido. Se tu quiser saber das novidades, deixa teu nome e teu e-mail anotado aqui no meu caderninho.
Na bancada agora: Maria Padilha, Maria Mulambo, Exu e Preto Velho.

